Viih Tube e o reality que mistura casa e poder

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Com o Big Brother Brasil 26 já no retrovisor, o mercado de realities no Brasil segue aquecido. O projeto associado a Viih Tube e Eliezer reacende a conversa sobre formatos autorais, poder simbólico e a nova economia do entretenimento.

O entretenimento brasileiro de 2026 convive com duas forças ao mesmo tempo: a máquina industrial da TV aberta e a capacidade dos influenciadores de criar universos próprios. Nesse cruzamento surgiu, com forte repercussão crítica e popular, o debate em torno do reality As Patroas, ligado a Viih Tube e ao marido Eliezer — ambos ex-BBBs que transformaram exposição em empresa de atenção.

Em coluna publicada na Folha (F5), o formato chegou a ser descrito com a provocação de um “reality show colonial”, leitura que, independentemente da concordância do leitor, prova um ponto: o produto saiu da bolha de fãs e entrou na conversa cultural. E, no ecossistema atual, conversa cultural é audiência, clipe, meme e marca.

O que aconteceu no mapa dos realities

O BBB 26, exibido pela TV Globo entre 12 de janeiro e 21 de abril de 2026, manteve o reality como centro da grade e das redes. A temporada mesclou Pipoca, Camarote e Veteranos, foi comandada por Tadeu Schmidt e terminou com a vitória de Ana Paula Renault, conforme registros públicos da edição. Mesmo após a final, o apetite do público por convivência filmada, brigas editadas e alianças não esfriou.

É nesse vácuo pós-BBB — quando a torcida ainda quer “casa, dinâmica e eliminação”, mas a Globo já encerrou o ciclo — que projetos paralelos ganham oxigênio. As Patroas entra exatamente nessa janela: oferece o prazer do reality com a assinatura de criadores que dominam o algoritmo.

Entenda o apelo de As Patroas

O formato aposta em hierarquia doméstica, papéis sociais e o choque entre quem manda e quem obedece — um motor narrativo clássico, atualizado para a era do corte de 30 segundos. A casa deixa de ser apenas cenário e vira metáfora de poder, classe e afeto.

Por que isso gruda no público?

A provocação crítica de chamar o gênero de “reality show colonial” mostra que o produto ultrapassou o entretenimento puro e virou objeto de leitura social.

Viih Tube e a profissionalização da influência

Viih Tube representa uma geração que entrou pelo BBB e saiu com holding de conteúdo. O mesmo vale para Eliezer. Juntos, simbolizam a tese de que o reality tradicional é só o primeiro capítulo: o segundo é a empresa, o merchandising, o podcast, o spin-off e o evento ao vivo.

Essa trajetória muda a correlação de forças no entretenimento:

  1. A TV ainda tem escala e prestígio
  2. Os criadores têm comunidade e velocidade
  3. As marcas querem os dois mundos

Quando um ex-BBB lança formato próprio, ele não compete apenas por audiência: compete por narrativa. Quem define o jogo, as regras e o tom emocional deixa de ser só a emissora.

Repercussão: elogios, críticas e engajamento

Como todo reality de alta exposição, As Patroas divide. Há quem veja inovação e entretenimento afiado; há quem critique o recorte social e a estética da hierarquia. O importante, em termos de mercado, é que a polarização alimenta permanência na timeline.

A imprensa de cultura pop e colunistas de TV usam o caso para discutir:

Do lado do público, o consumo acontece menos no bloco fechado de uma hora e mais na colagem de momentos: briga do dia, frase pronta, reação de fã, resposta da produção.

O que muda para a TV brasileira

Globo, Record e SBT seguem com calendários lotados de realities e talent shows. O BBB não reina sozinho, e 2026 já nasceu com grade competitiva. A novidade é que a concorrência também vem de fora da TV aberta clássica: de canais de influenciadores, plataformas e parcerias híbridas.

Isso força três movimentos na indústria:

  1. Formatos mais curtos e clipáveis
  2. Integração nativa com redes sociais
  3. Uso de rostos com audiência prévia (em vez de só “anônimos descobertos”)

Em outras palavras: o reality do futuro parece menos um experimento sociológico e mais um universo de franquia.

Contexto: depois do BBB 26

A 26ª edição do BBB reforçou tendências que já vinham de temporadas anteriores — longo confinamento, mistura de perfis e alto volume de expulsões/saídas não votadas, segundo a memória pública da temporada. Ana Paula Renault, campeã, segue no radar de programas e entrevistas, prova de que o “pós-reality” é carreira, não epílogo.

É nesse ecossistema que As Patroas faz sentido comercial: o fã treinado pelo BBB quer continuidade de emoção. Se a casa oficial fechou, outra casa abre.

Próximos passos do gênero

Olhando adiante, o entretenimento brasileiro deve aprofundar:

O sucesso, daqui para frente, não será medido só em pontos de ibope, mas em tempo de tela fragmentado — a soma de todos os cortes.

Conclusão

Viih Tube e o debate em torno de As Patroas mostram que o reality brasileiro de 2026 é maior do que qualquer temporada de BBB. É um sistema: TV, influência, crítica e algoritmo. Quem entender essa engrenagem não apenas diverte — governa a atenção.

Fontes: Folha/F5, Gshow/BBB 26, Wikipedia (Big Brother Brasil 26), coberturas de Notícias da TV e imprensa de entretenimento.

Perguntas frequentes

As Patroas é da Globo?
Trata-se de projeto associado aos criadores e ao ecossistema de influência; o ponto central é a autoria fora do molde clássico de um único reality anual.

Por que a crítica usou o termo “colonial”?
Para provocar leitura social sobre hierarquia e papéis no formato, gerando debate público.

BBB 26 ainda influencia a grade?
Sim, como referência de audiência e como formador de estrelas para o restante do ano.

Influenciador consegue sustentar reality próprio?
Quando há comunidade, produção e distribuição, sim — e 2026 é prova viva disso.

O gênero reality está saturado?
Saturado de cópias, talvez; de interesse do público, ainda não.

Leia também: o legado do BBB 26 e como campeões de reality constroem carreira no segundo semestre.

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