As chamadas canetas emagrecedoras — medicamentos injetáveis originalmente desenvolvidos para diabetes tipo 2 e, em alguns casos, obesidade — viraram fenômeno de redes sociais em 2026. A discussão ganhou novo fôlego quando Fernanda Paes Leme, de 43 anos, revelou em entrevista ao programa Grande Surto, reportada pela Quem, que passou mal a ponto de ir ao hospital após usar Mounjaro (tirzepatida) no pós-gravidez e pós-amamentação.
O relato reacende debate que médicos e nutricionistas repetem há meses: nenhum tratamento farmacológico para emagrecimento deve ser feito sem acompanhamento profissional — e a busca por “versões melhores” do corpo, alimentada por influenciadores, pode mascarar riscos reais.
O que aconteceu
De acordo com a reportagem publicada em 8 de julho de 2026, Paes Leme tentou recuperar o físico após o nascimento da filha Pilar, de dois anos, quando terminou a fase de amamentação. Optou pelo Mounjaro, mas descreveu reações adversas intensas.
“Eu passei tão mal, mas tão mal… Mal de hospital. O meu corpo claramente respondeu: ‘Olha, Fernanda, tudo bom? Eu entendi sua intenção, mas eu não vou colaborar'”, relatou a apresentadora. Depois, passou a usar jejum intermitente como alternativa.
O que são as canetas emagrecedoras
Os dispositivos mais comentados no Brasil incluem moléculas como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro, Zepbound). Funcionam, em linhas gerais, por:
- modular hormônios relacionados à saciedade e ao controle glicêmico
- reduzir apetite e, em muitos pacientes, promover perda de peso gradual
- exigir prescrição, titulação de dose e monitoramento de efeitos adversos
Conforme orientações de sociedades médicas, a indicação correta considera IMC, comorbidades (diabetes, hipertensão, dislipidemia), histórico clínico e metas realistas — não apenas desejo estético de curto prazo.
Efeitos adversos mais comuns
Literatura e bulas destacam reações gastrointestinais como as mais frequentes:
- náusea e vômito
- diarreia ou constipação
- dor abdominal
- perda de massa muscular se não houver suporte nutricional e treino adequado
- desidratação em casos de vômitos persistentes — cenário que pode levar à emergência hospitalar
O relato de Paes Leme ilustra que, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis, o organismo pode rejeitar o medicamento de forma intensa.
Por que o modismo preocupa especialistas
Em 2026, a visibilidade de celebridades com corpos transformados alimenta demanda por atalhos. A apresentadora analisou o fenômeno com lucidez:
“A influência acontece desse jeito. Ela não pega só quem acredita em tudo, mas ela pega quem acha que está prestando atenção, mas vive no mesmo mundo, vendo as mesmas imagens e ouvindo todos os dias que existe uma versão melhor de si.”
Profissionais de saúde alertam para:
- automedicação e compra irregular de medicamentos
- uso estético sem avaliação de elegibilidade
- descontinuação precoce ou troca de fármacos sem orientação
- efeito rebote quando o tratamento para sem mudança de hábitos
- mercado paralelo e produtos adulterados
Quem pode se beneficiar — e quem não deve usar
De acordo com diretrizes clínicas divulgadas por endocrinologistas e nutrólogos, candidatos adequados costumam ser pacientes com obesidade ou sobrepeso com risco metabólico, após falha de medidas comportamentais estruturadas. Não são cenários para automedicação:
- gestantes e lactantes (como no caso de Paes Leme, que aguardou fim da amamentação)
- histórico de pancreatite ou câncer medular de tireoide em família (conforme contraindicações de cada fármaco)
- transtornos alimentares não tratados
- expectativa de emagrecimento rápido sem acompanhamento multidisciplinar
Alternativas sustentáveis
A própria Fernanda Paes Leme migrou para jejum intermitente com supervisão. Outras estratégias com evidência incluem:
- plano alimentar individualizado com nutricionista
- atividade física progressiva — força e cardio
- sono regular e manejo do estresse
- tratamento de saúde mental quando há compulsão ou ansiedade
- medicamentos apenas quando critérios clínicos são atendidos
Contexto no SUS e no mercado privado
No Brasil, acesso a esses medicamentos ainda é majoritariamente privado, com custo elevado. Filas do SUS para obesidade e diabetes seguem pressionadas. A popularização nas redes cria impressão de normalidade, mas não altera a necessidade de prescrição e monitoramento.
FAQ — Perguntas frequentes
Caneta emagrecedora emagrece sozinha?
Não. Ela pode auxiliar em contexto clínico adequado, mas hábitos alimentares, movimento e sono continuam centrais.
O relato de Fernanda Paes Leme significa que o remédio é perigoso?
Significa que efeitos adversos podem ser graves e que cada organismo reage de forma diferente — reforçando a necessidade de acompanhamento médico.
Quem está amamentando pode usar?
Em geral, não é recomendado. Paes Leme só tentou após o fim da amamentação, conforme a reportagem.
Qual a diferença entre Ozempic e Mounjaro?
São moléculas distintas (semaglutida vs tirzepatida), com mecanismos parecidos mas não idênticos. A escolha é médica.
Como saber se preciso do medicamento?
Apenas com avaliação de médico — endocrinologista, nutrólogo ou clínico — que analise exames, histórico e metas.
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Conclusão
As canetas emagrecedoras não são acessório de moda — são medicamentos com indicação, contraindicação e efeitos colaterais reais. O relato de Fernanda Paes Leme humaniza o debate: mesmo com intenção legítima de recuperar o corpo após maternidade, o organismo pode dizer não. Em 2026, a mensagem que a saúde pública precisa repetir é simples: procure sempre um especialista antes de iniciar qualquer tratamento.
Você ou alguém próximo já usou caneta emagrecedora com acompanhamento médico? Compartilhe sua experiência nos comentários.