A Itapemirim, mais nova empresa aérea do Brasil, operava há menos de seis meses e ontem à noite expressou a “suspensão temporária” de todas as operações. A empresa disse em nota que pretende se recuperar e retomar os voos. Mas ela vem passando por muitos contratempos: atrasos de salários e benefícios de servidores, suspensão do plano de saúde dos trabalhadores, dívidas com fornecedores, inobservância de horários, adiamentos de voos, assistência criticado por usuários e envio de dados errados sobre número de passageiros para a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Procurada pelo UOL antes de comunicar a suspensão dos trabalhos, a empresa disse que estava solucionando as questões hora apresentadas.
A empresa virou foco de ação movida pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), desde que os planos de saúde de funcionários foram suspensos no início de dezembro.
Os ordenados dos colaboradores e benefícios como vale-refeição e transporte, também vinham sendo atrasados com frequência. A empresa parcelou o pagamento dos colaboradores por duas vezes em dezembro.
Havia reclamações, também, de que quantias rescisórias não estavam sendo pagas aos demitidos. Além isso, segundo o associação da categoria, mecânicos estariam trabalhando sem acessórios de proteção convenientes.
“Aeronautas sem condições financeiras de fazer o deslocamento até o trabalho comunicavam o sindicato, e nós notificávamos a empresa que aquele profissional não poderia comparecer ao voo previsto por falta de condições para ir trabalhar”, disse o líder sindical.
A companhia passou por uma dificuldade pontual, segundo a Itapemirim, o que fez com que 50% de cada salário fosse pago no começo do mês e a outra metade fosse quitada até o dia 17. A empresa não comentou os cancelamentos de benefícios dos contratados, falta de pagamento de verbas rescisórias e ausência dos acessórios de proteção.
Até o fim da tarde dessa sexta-feira (17), funcionários comunicavam que os rendimentos não haviam caído ainda em suas contas. Em outros serviços também se repetiu as mesmas faltas, atingindo cifras milionárias. A companhia disse em comunicado que estava tratando com cada uma dessas empresas, individualmente.
A empresa já possui mais de mil reclamações formalizadas na programa Consumidor.gov.br e mais de 4 mil no site Reclame Aqui. Mais da metade delas foram feitas nos últimos 30 dias, sendo recebidas desde o início da venda de passagens, no primeiro semestre de 2021.
A Itapemirim disse em nota que precisou fazer uma readequação de seus voos desde o início de dezembro, por conta do adiamento da chegada de novos aviões.
De acordo com as normas da Anac, a empresa também afirmou que vinha dando apoio aos passageiros afetados.
O grupo Itapemirim enfrenta um longo processo de recuperação judicial. De acordo com um relatório da dirigente judicial responsável pelo processo, a empresa devia cerca de R$ 253 milhões aos seus credores em setembro, além de R$ 2,2 bilhões em dívidas tributárias, de acordo com informações da UOL.